diário de bordo - parte 2
Detalhes do cemitério de Cornélio Procópio
Candinho no pátio do Museu Histórico, ao lado de uma charrete e encostado numa canga de boi,
falando sobre charretes e cangas de boi
Candinho e Tia Clara na casa do Pedro
A viagem de Candinho pelo norte do Paraná começou na tarde de 12 de junho. Fomos direto para o hotel Donna Linda, administrado pelo Fernando, espanhol de Tenerife, Islas Canárias. Primeira noite um tanto difícil: cama estranha num local desconhecido numa esquina no centro de uma cidade, um senhor de 93 anos se levantando da cama para ir ao banheiro quatro ou cinco vezes durante a madrugada, a expectativa da aventura que aquela situação toda prometia. Dia seguinte fomos atrás do caso do apartamento: uma história complicada que, oportunamente, merecerá uma abordagem mais detalhada. Assim, no rápido e rasteiro, depois de 14 anos de pendenga judicial, finalmente o juiz tinha batido o martelo a favor de Candinho e a propriedade passava a ser, então, legalmente dele. A visita à advogada Vânia Queiroz de manhã, o almoço no restaurantezinho de seo Raimundo, a ida ao cartório de registro de imóveis, umas pequenas correrias a mais pela cidade e pronto: retorno ao hotel para o pernoite, o lanche da tarde no quarto, novela, noticiário, cama. Candinho dormiu mais cedo e eu fiquei um pouco mais vendo TV. Nessa noite dormimos melhor.
Segundo dia de manhã, toca para Cornélio Procópio: primeiro a Praça do Cristo em reforma, ponto mais alto da cidade, onde ventava gelado, tinha uns urubus pousados na mão esquerda da estátua e se via em torno uma paisagem magnífica. Depois a casa na Rua Rio de Janeiro (onde a família morou em parte das décadas de 1960 e 70), que manteve (pelo menos quando vista de frente e de fora) exatamente a mesma estrutura, com algumas mínimas modificações. A cadeia onde aconteceu o massacre nos anos 60 (1966? pesquisar isto). Perto dali o local aproximado onde o avô Cândido construiu a primeira casa deles na cidade, a Praça do Botafogo, o cemitério, almoço no restaurante da Praça da Matriz (a igreja – acho que agora é catedral – estava em reforma internamente), o salão Dom Bosco, a casa da rua Piauí, 669, a primeira que Candinho comprou e hoje não existe mais. De volta ao cemitério para tentar localizar o túmulo do Dr. Francisco Lacerda Junior – que ninguém lá sabia onde ficava. Aproveitando que já estava ali mesmo, fotografei algumas tumbas e esculturas e percebi que quase não existem anjos, santos ou nossas senhoras entre elas: a grande maioria é de esculturas de bronze ou algum material que o imita e representa Jesus.
Antes de tomarmos a estrada de volta para Londrina, uma passada pelo prédio onde ficava a Sementes Canadá. O lugar está caido, parece que nunca mais recebeu uma manutenção desde a época que Candinho trabalhou lá, embora ainda esteja bem de pé quando visto de fora. Ali perto o lugar que tinha sido o Bosque Municipal, inaugurado na década de 1970 e onde hoje estão construídos os estúdios da RIC – TV Record. Toca pra Londrina. Lanche, TV e cama. Eu ainda fiquei algumas horas trabalhando na internet.
Quarta-feira de manhã, de volta ao escritório da advogada pra terminar de definir algumas coisas. De um momento para outro adquiri o status de procurador, o que quer dizer que me comprometo a representar meu pai em algumas situações civis nas quais ele não possa estar de corpo presente, enquanto que a advogada Vânia vai representá-lo legalmente. Depois a visita ao Museu Histórico Padre Carlos Weiss, onde nem entramos: ficamos mais de uma hora no pátio, vendo os objetos que ali estavam e esquentando ao sol naquela manhã fria enquanto esperávamos pela Angelita Marques Visalli (que chegou acompanhada do fotógrafo Rui Cabral), minha professora de História Medieval, diretora do museu e finíssima dama, que estava do outro lado da cidade, numa reunião na UEL. O almoço “da diretoria” no centro da cidade (uma ocasião encantadora), as despedidas e toca visitar os Arrebola de Morais.
A tarde na casa do Pedro: Tia Clara, irmã da mãe, Dione, Diomar e, claro, o dono da casa. Depois uma amiga da tia, Dirceu, o motorista e Junior, fiel amigo do Pedro. Lanche e amenidades. Fim do dia: hotel, TV, internet. Dia seguinte seria quinta-feira, 16 de junho. Nesse dia mergulharíamos na verdadeira viagem.
(as fotos seguintes ainda estão na máquina e a máquina está em Curitiba)
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