quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O lugar


A estrada que vinha desde Santo Antonio da Platina terminava na rua principal do Lageado, onde havia aí umas 50 casas de chão batido que ficavam dos dois lados dessa rua e, entre as casas, a espaços irregulares, abriam-se pequenas transversais que iam dar em picadas no meio do mato ou nas roças onde o povo dali trabalhava. Mais além, quase à beira do ribeirão, erguia-se a igrejinha de ripas de palmito coberta com tabuinhas, bem perto de uma mina de águas muito límpidas e cristalinas que abastecia a maior parte da população do lugarejo. Não era sempre que aparecia um padre para rezar a missa aos domingos – só uma vez ou outra, quando vinha um de Santo Antonio da Platina, quase sempre em ocasiões festivas. Então os católicos dali, tementes a Deus e cuidadosos de suas almas, reuniam-se na capelinha durante a semana para rezar o terço. E ainda em todas as ocasiões que a comunidade tinha que se reunir para decidir qualquer coisa, era lá que acontecia. Mas não demorou muito para o lugar ser elevado a paróquia e chegar um padre morador para colocar as coisas nos eixos.

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