(Aqui abre um parênteses para o trabalho de tópicos de contemporânea -
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Depois de algum tempo sem postagens (isto aqui é um trabalho em construção e obedece ao tempo da vida que, num final de semestre, quando se tem que concluir coisas ao mesmo tempo em que surgem tarefas novas, sem internet instalada em casa e dependendo de lan houses e dos computadores da UEL, passa com muita velocidade), uma postagem pontual, destinada a cumprir uma tarefa de avaliação da matéria de Tópicos de Ensino em História Contemporânea, do quarto ano de graduação em História da Universidade Estadual de Londrina, do Centro de Letras e Ciências Humanas, Departamento de História, disciplina sob responsabilidade do Professor Doutor José Miguel Arias Neto.
Este trabalho já está sendo feito dentro de uma linguagem virtual e contemporânea por si mesma, mas este não é o formato definitivo dele. O blog é um laboratório onde serão experimentadas formas de linguagem e utilização para o trabalho. Aqui, a ideia é criar – ou projetar – um material didático destinado à 5ª série do ensino fundamental a partir do livro didático que foi objeto de trabalho entregue há poucos dias, e do tema (ou de assuntos) presente(s) neste trabalho. O material proposto aqui pretende que os alunos experimentem a história colocando-se mais pessoalmente nela, a partir de referências reconhecíveis, fatos e/ou personagens particulares inseridos na Grande História e que lhes digam respeito de forma mais ou menos direta.
Para tanto serão trabalhadas a análise de documentos escritos e imagens e o suporte metodológico da história oral. Os alunos deverão trazer à sala de aula documentos, imagens, objetos ou narrativas que se refiram à época ou aos tipos de personagens abordados pela história da formação do Norte do Paraná, estes elementos contextualizados dentro do tema da(s) aula(s) e os alunos incentivados a estabelecer uma empatia com o assunto pesquisado.
A seguir um trecho das memórias de Candinho que pode ser usado para uma aula ou apenas a título de exemplo aqui:
Distrito Judiciário do Lageado
Foi criado em 1929, e o Cartório Distrital colocado sob o comando do jovem, dinâmico e letrado Aldo Claro de Oliveira. Candinho, com onze anos de idade, foi convidado a trabalhar e a pilotar a grande novidade que chegava ao local junto com essa espécie de independência: a primeira máquina de escrever que se via por ali. Chegava a ser assombrosa aquela engenhoca mecânica. Candinho ficou encantado com a oportunidade de experimentar sua habilidade e inteligência naquele mecanismo misterioso. Catando um milho aqui, outro acolá, ele preenchia, todo orgulhoso, laudas e laudas com aquela tipografia tosca, principalmente cartas para parentes distantes, tanto para demonstrar sua própria desenvoltura na escrita e na habilidade de datilógrafo quanto para autenticar, sem deixar espaço para dúvidas, o fabuloso progresso que então ocorria no Lageado.
Foi por aqueles dias mesmo que um decreto do presidente recém assumido, Getúlio Vargas, determinou que todos os cartórios fizessem, gratuitamente, os registros civis de quantos brasileiros os procurassem. Então começaram a chegar levas de pessoas, principalmente analfabetos, principalmente da zona rural, com listas de seis, oito, dez ou doze filhos; meninos e meninas recém nascidos ou com até poucos meses de vida, e rapazes e moças de dezesseis, dezoito, vinte e dois anos, muitos dos quais não se sabia com certeza o dia, o mês ou até mesmo o ano em que haviam nascido. Também casais que já conviviam há muito tempo e nunca tinham se casado iam até o cartório para regularizar a situação. Candinho tinha a função de fazer a relação dos filhos, arrumar pessoas do próprio patrimônio para assinarem como testemunhas, proceder ao preenchimento dos documentos e, depois de assinado pelas testemunhas e pelo escrivão, entregar aos pais o registro civil daquelas pessoas cujos nomes tinham sido trazidos para esse fim, ou aos felizes casais que, enfim, estavam regularizando sua situação. O governo queria incrementar o alistamento eleitoral. O cartório mantinha algumas testemunhas sempre de prontidão, e estas assinavam em quase todos os casos. Candinho trabalhou muito nesse período, até criar calos nas pontas dos seus dedos indicadores de tanto caçar letrinhas na máquina de datilografia.
Além do cartório, com a criação do Distrito Judiciário veio também a subdelegacia, construída uma cadeia de madeira numa praça do patrimônio e Candido, homem muito conhecido e de boas relações por ali, além de aliado e amigo de primeira hora de Aldo Claro de Oliveira, foi nomeado o primeiro subdelegado.
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Próximas postagens, a construção do projeto de material didático e os dados complementares deste trabalho.
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