Segundo Candinho, entre o final do ano de 1927 e o início de 1928 ocorreu um grande revés nas expectativas de produção de Santo Antonio da Platina. Além de uma praga que acometeu os porcos, fazendo com que centenas deles tivessem que ser sacrificados, um período de intensas chuvas acabou com as safras de milho e de algodão e, num curto espaço de tempo após o término do aguaceiro, houve um aumento significativo na quantidade de casos de malária na cidade. O lugar era pequeno e dependia basicamente da agricultura de subsistência, da pequena criação e do pequeno comércio, e isso teria ocasionado uma grande crise – grande até que ponto é difícil saber, mas grande o bastante para afetar profundamente a vida de Candido e de sua família, e para parecer a Candinho, com menos de 10 anos, o equivalente a uma praga bíblica.
[...] A venda de Candido chegou à beira da falência e alguma coisa precisava ser feita a respeito. Não muito longe dali estava sendo implantado o patrimônio do Lageado, que depois seria Carvalhópolis e, depois ainda, município de Abatiá. O chefe da família tinha ouvido falar bem do lugar. Dizia-se que, ali, a doença dos porcos não havia chegado e os produtos da terra tinham dado bem naquela safra. Várias pessoas e famílias mineiras da região de Ubá que eram suas conhecidas estavam indo para lá. Viajou até o patrimônio e fechou negócio numa grande casa de madeira que tinha um salão de frente onde daria para acomodar muito bem o negócio de secos e molhados, e alguns aposentos de fundos onde poderia instalar toda a família. Ficou decidido que eles mudariam para o Lageado. [...]
[...] Na história oficial de Abatiá, disponível na internet, consta que: “Em 1925, um grupo de pioneiros, formado por Antonio Maria, João Carvalho, Candido Coelho, José Vicente Ramalheiro e Manoel José Pereira e suas famílias, estabeleceu-se no lugar conhecido pelo nome de Lageado nas margens do Rio Laranjinhas, criando um Patrimônio que deu origem ao atual Município de Abatiá.
Nos primeiros tempos, a localidade era conhecida pela denominação de Lageado, passando, mais tarde, a denominar-se Carvalhópolis, em homenagem a João Carvalho, um de seus fundadores.
A cultura do café constituiu, sempre, mais importante fonte de riqueza do município.”
Candinho conta que o citado Candido Coelho era, na verdade, seu pai, chamado assim por conta do sobrenome do pai dele que lhe servia de referência entre os colonos desde o bairro do Ubá, ou desde antes mesmo, em Minas Gerais, até o Lageado (mas isto já foi dito antes). Que João Carvalho era o pai do Elias Carvalho que, anos depois, viria a ser um dos assassinos de seu irmão Valdemar. Que, sim, os outros já estavam por ali antes, mas Candido e sua família se mudaram mesmo em 1928 – e corrige ainda que o lugar ficava às margens do ribeirão Lageado, entre os rios Laranjinhas e das Cinzas, e que o ribeirão talvez fosse (ele não tem certeza) um afluente do Laranjinhas. [...]
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